<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773</id><updated>2012-02-16T05:59:14.786-08:00</updated><title type='text'>Prosa na Janela</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>23</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-4388994592865188281</id><published>2012-02-10T20:32:00.000-08:00</published><updated>2012-02-10T20:49:02.880-08:00</updated><title type='text'>A questão da escova de dentes</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-c3fU__PfY94/TzXvHweQXNI/AAAAAAAACO0/gH3Liir3U9c/s1600/6053895681_21821f6e72_z_large.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="279" src="http://1.bp.blogspot.com/-c3fU__PfY94/TzXvHweQXNI/AAAAAAAACO0/gH3Liir3U9c/s320/6053895681_21821f6e72_z_large.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atualmente estou &amp;nbsp;morando em uma casa que contém apenas o básico para que uma pessoa viva confortavelmente. É uma situação provisória, enquanto minha vida se ajeita em certos eixos. Tenho alguns eletrodomésticos, como geladeira e fogão, minha cozinha está equipada com um talher de cada tipo, uma panela e dois pratos. Conto com uma cama confortável, algumas poucas roupas, itens de higiene pessoal e o meu computador. E, desde ontem, estou sem televisão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui na minha casa, em geral, reina o silêncio. Fico só, apenas eu e minha própria sombra, perambulando pelos quartos vazios e pela sala pouco mobiliada. No entanto, apesar da aparente simplicidade, devo dizer que essa vem sendo uma experiência de valor inestimável para mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me de uma vez, há alguns meses, em que fui escovar os dentes no toillete de um restaurante de um hotel junto a uma grande amiga. Chegando lá, verificamos que todas as pias estavam ocupadas. Nós estávamos com pressa, então já retiramos as escovas da bolsa, e preparamo-las com a pasta de dentes. Eu permaneci imóvel, aguardando pela liberação de uma pia para que eu pudesse umedecer a minha escova. Notei, então, que a minha amiga não pensou duas vezes e logo começou a escovar seus dentes lá mesmo. Provavelmente, eu a encarei com o mesmo estranhamento com que ela me olhou, ao perceber que eu permanecia estática, com a escova parada nos dedos. Eu nunca havia sequer cogitado a possibilidade de escovar os dentes sem molhar a escova antes. A ordem das coisas para mim deveria ser escova-pasta-água-boca, sem questionamentos ou indagações. Mas em um segundo meu pequeno mundinho &lt;a href="http://www.farmagora.com.br/prd/700/728/656495_desc.jpg"&gt;Tandy&lt;/a&gt; foi por água abaixo, e com um simples olhar minha amiga apontou para o meu pequeno-grande paradigma.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No fim das contas, naquele dia descobri que não havia apenas uma ordem ou regra. Aprendi que escovar os dentes sem molhar a escova dava um desconforto de meio segundo, mas depois todo o processo parecia exatamente igual.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No meu atual acampamento (como apelidei carinhosamente minha casa), todos os dias em algum momento sou tomada por essa sensação de não aguar a escova. É quase como colocar uma luz repentina em um canto de uma sala, e então descobrir que o que você antes achava ser parede, era uma janela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dia desses fui ao mercado, e comprei um pé de alface para enfeitar o meu sanduíche. Ao abri-lo, por pouco não estraguei violentamente o plástico que o protegia. Pude conter-me quando lembrei que não havia nenhum recipiente para armazená-lo, e que se eu quisesse voltar a comer alface nos outros dias, deveria desembalá-lo carinhosamente, sem romper a embalagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São fatos pequenos, eu sei. Mas assim, com tão pouco, descobri que não preciso de muitas coisas para viver. Talvez até pudesse abrir mão do micro-ondas, que não utilizo há mais de uma semana.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Compro pouco, e sempre aquilo que com certeza irei consumir. Sem neuroses ou dificuldades, descobri dezenas de formas diferentes de não gastar tanta água ou luz. Como nenhum canal de televisão está funcionando, já tive oportunidade de assistir a ótimos filmes que estavam na fila de espera há meses. Organizei minhas finanças, minhas metas de ano novo, tive um tempo incrível para ficar comigo mesma. Não consigo mais levar uma louça à cozinha sem lavá-la imediatamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz quase dois meses que o lugar em que moro mudou completamente, e talvez alguns o descreveriam como solitário e triste. Eu, contudo, ainda acho incrível como esse novo lugar cheio de vazios abriu em mim novos espaços.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, de verdade, poucas vezes fui tão feliz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fonte da imagem:&amp;nbsp;&lt;a href="http://weheartit.com/entry/14642895"&gt;http://weheartit.com/entry/14642895&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-4388994592865188281?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/4388994592865188281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=4388994592865188281&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/4388994592865188281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/4388994592865188281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2012/02/questao-da-escova-de-dentes.html' title='A questão da escova de dentes'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-c3fU__PfY94/TzXvHweQXNI/AAAAAAAACO0/gH3Liir3U9c/s72-c/6053895681_21821f6e72_z_large.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-3826687462531530490</id><published>2011-12-29T20:29:00.000-08:00</published><updated>2011-12-29T20:53:45.423-08:00</updated><title type='text'>O Defeito</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-32jAym0jd3Y/Tv00SC8TCDI/AAAAAAAACOo/uAaWNSRKSaQ/s1600/71587882.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="226" src="http://3.bp.blogspot.com/-32jAym0jd3Y/Tv00SC8TCDI/AAAAAAAACOo/uAaWNSRKSaQ/s320/71587882.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estamos todos, sem exceção, submetidos a uma lógica capitalista, quer queiramos ou não. Longe ou perto, a favor ou contra, é isso que se apresenta no momento. Estamos na era dos compradores e dos vendedores, na era em que um dos poucos direitos preservados até as últimas consequências são os do consumidor. Não poderia ser diferente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando criança, acompanhava com certo temor as vezes em que meu pai voltava a determinadas lojas para exigir seus direitos, que ele julgara terem sido burlados leve ou gravemente. Nunca havia visto meu pai falando com tal convicção por nada e nem com ninguém, como vi em tais circunstâncias. Atualmente, posso dizer que não segui os passos do meu papito, sou bondosa nas cobranças e bastante tolerante com os profissionais de serviços, e confesso que esse comportamento já me fez ter alguns pequenos prejuízos. No entanto, eles ainda não foram suficientes para que eu mudasse minha postura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas minha heresia não para por aí. Não só sou caridosa com antipatias de &lt;i&gt;shopping&lt;/i&gt;, como sou uma &amp;nbsp;grande admiradora dos produtos com defeito. Acho verdadeiramente belo quando chega às minhas mãos um produto com esse tal "defeito de fábrica".&lt;br /&gt;Estamos falando de&amp;nbsp;um pequeno defeito que escapou ileso a uma &lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;u&gt;fábrica&lt;/u&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;! Justamente o lugar das coisas feitas em linha, de máquinas e operários com especializações microscópicas, executando a mesma tarefa por dias, anos, décadas. O cárcere de corpos e produtos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Penso que deveríamos erguer monumentos ao encontrarmos um único produto com defeito. Deveríamos investir décadas de estudos para compreendê-los, e depois deveríamos preservá-los em salas ambientadas, que conservassem sua imperfeição. Poderíamos até montar um museu com eles, e torná-los atrações turísticas das cidades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois que há nesse mundo de mais incrível senão que ainda exista espaço para a imperfeição? Ainda que no ambiente mais inóspito, lá está ela desfilando discretamente, quase despercebida, mas chegando a seu destino final e causando dores de cabeça nos compradores e atendentes de telemarketing.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É assim que o defeito mostra sua inegável superioridade, revelando toda nossa imperfeita humanidade, sobrevivendo a todas as intervenções&amp;nbsp;planificadas e plastificadas, tentativas vãs de sanar aquilo que é imanente à nossa ação: o erro.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bastou um microssegundo para que o rapaz que martelava deixasse passar apenas um único prego. Mais um microssegundo, e o seguinte encaixou sem notar uma segunda peça ao prego frouxo. Pequenos microssegundos: um pensava tristemente no rompimento do namoro, o outro estava com uma dor de barriga do jantar farto da noite passada. Um prego solto era levado pela esteira, transformado em coisa, e o homem rude da inspeção, o último da linha, sentiu o perfume da chefe que passou atrás de si naquele momento, e em um &lt;i&gt;flash&lt;/i&gt; lembrou-se do cheiro de sua avó, que lhe dava beijos estalados e preparava-lhe bolos recheados quando criança.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, assim, chega às mãos do comprador um carrinho de brinquedo com uma porta que não fecha direito. Munido de seu código de defesa, o consumidor corre para trocá-lo por outro, dessa vez perfeito. Troca, sem saber, uma história de&amp;nbsp;namoros terminados, jantares calóricos e cheiro de vovó, por uma outra que conseguiu atravessar uma fábrica inteira sem nenhum resquício de humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;_________________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço desse um atípico texto de Feliz Ano Novo. Para que as pessoas sejam mais benevolentes com os &amp;nbsp;defeitos, de uma forma geral :)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-3826687462531530490?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/3826687462531530490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=3826687462531530490&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/3826687462531530490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/3826687462531530490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2011/12/o-defeito.html' title='O Defeito'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-32jAym0jd3Y/Tv00SC8TCDI/AAAAAAAACOo/uAaWNSRKSaQ/s72-c/71587882.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-8150043991087295113</id><published>2011-09-22T21:06:00.000-07:00</published><updated>2011-12-30T05:25:55.871-08:00</updated><title type='text'>Encontro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-mBANP5FiI6c/TnwLSsj3jEI/AAAAAAAACOM/hoBDpEmZLDE/s1600/12MyeongbeomKim_large.jpeg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5655407647897652290" src="http://4.bp.blogspot.com/-mBANP5FiI6c/TnwLSsj3jEI/AAAAAAAACOM/hoBDpEmZLDE/s320/12MyeongbeomKim_large.jpeg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 198px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A tua arte é uma baboseira de criança.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem sutileza alguma, o Músico iniciou a conversa. Já de partida, empurrou essa frase para os ouvidos do Ator que, atordoado, não conseguiu responder à altura imediatamente:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Baboseira de criança. A minha filha de seis anos constrói jogos de faz-de-conta melhores do que os teus. Ela cria vozes, imita, ela improvisa as mais hilárias cenas. E, quando necessário, é capaz de fazer brotar lágrimas dos olhos. E, pasmem todos, acredito muito mais nela do que em ti, Ator.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pelo menos, meu caro, guardamos um pouco dessa jovialidade que tu, Músico, perdeu no instante em que quis tornar tua arte quase uma ciência exata. Tua arte tem tão pouco de arte, meu caro. É tão pouco pulsante, é tão entediantemente avaliável e quantificável. Quase uma matemática. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O poeta, que até então mantivera-se escrevendo algo em seu bloco de notas, olhou sobre os óculos pousados na ponta do nariz e interveio:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que há de errado com a matemática, meu caro Ator? A métrica é capaz de magias. E invertê-la, também. Liberte-se desses preconceitos vis. Teu desespero por liberdade acabará por levá-lo à falência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Músico riu gostosamente: todos sabiam que o ator era o mais mal pago dos artistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vem falar de preconceitos a mim? Por que não se refere ao preceptor dessa vã discussão?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que posso eu dizer sobre o Músico? Para mim, apenas uma arte calada. Ainda tenho dificuldade em qualificar como arte algo que não usa a linguagem, esse presente que os deuses entregaram em mãos humanas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Músico a essa altura já estava com as faces rubras e com um grito raivoso dentro da boca, mas foi detido pelo Pintor, que tomou a palavra para si. Sua voz saiu rouca e fraca, como quem não fala há semanas, mas sua raridade calou todos os demais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Um engano leigo demais para um profissional experiente como és, Poeta. E quem disse que a linguagem reside apenas na palavra? O que não é palavra além de um mero desenho tosco e repugnante, capaz apenas de transmitir parcialmente o que penso e sinto? Sim, pois quando digo 'flor', entenderás algo que é flor para ti. Mas nunca saberás qual é a flor sobre a qual falo, ainda que eu descreva-a exaustivamente. Mas, se traço no papel a flor que tenho em minha cabeça, num instante acessará todas as cores e sensações que trago em meu íntimo. Saberás a exata cor das pétalas do girassol que tenho meu jardim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar de todos os três terem algo a falar, as barbas brancas do Pintor impunham certa necessidade de reverência. Para o Ator, três segundos de silêncio já haviam sido reverência o bastante:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pois proponho um desafio ao respeitável Sr. Pintor: pegue tuas tintas, pincéis, ou quaisquer outras armas gráficas que possua e represente, então, o amor. E não qualquer amor, mas o teu amor. Quero ver tua tela e compreender exatamente o que é o teu amor, como se visse uma margarida ou um girassol que cultives em teu jardim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Pintor arregalou os olhos de um jeito como só fazia quando estava mergulhado em seus trabalhos. E o Ator continuou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O afeto que desperto nos meus expectadores só acontece porque a minha arte sou eu. Não preciso de complicados instrumentos, de papel ou tinta. A minha arte é esse corpo imperfeito, essas emoções universais que explodem pela pele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É por isso que tua arte é efêmera. É por isso que não tens memória. Pergunto-lhe o nome de um ator da Grécia Antiga, meu amigo, e garanto que não saberá. Mas conheces os célebres dramaturgos tornados imortais por suas tragédias e comédias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Queres fazer arte para ser lembrado? - provocou o Músico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oh, Músico, e tu não queres? - o Pintor o fitava com firmeza - Não me venha com falsos idealismos. É o que queremos, ora. Sabes disso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o susto do elemento comum que os uniu, um riso tímido escapou do canto direito das quatro bocas, que antes proferiam tão diferentes discursos. Perceberam, num segundo, que o que mais queriam era dobrar &amp;nbsp;a condição implacável da vida: a morte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;_____________________________&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda não decidi se esse conto acabou ou não. Decidi publicá-lo mesmo em estado de rascunho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-8150043991087295113?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/8150043991087295113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=8150043991087295113&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/8150043991087295113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/8150043991087295113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2011/09/o-encontro.html' title='Encontro'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-mBANP5FiI6c/TnwLSsj3jEI/AAAAAAAACOM/hoBDpEmZLDE/s72-c/12MyeongbeomKim_large.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-8902396347275064603</id><published>2011-08-08T19:39:00.001-07:00</published><updated>2011-08-08T20:15:51.118-07:00</updated><title type='text'>O dia do novo.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-aO1UQ8oD6sM/TkCl1bZdyMI/AAAAAAAACN8/tO1OJvjRwKA/s1600/6004756976_0b7daf182f_z_large.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-aO1UQ8oD6sM/TkCl1bZdyMI/AAAAAAAACN8/tO1OJvjRwKA/s320/6004756976_0b7daf182f_z_large.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5638689070774077634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O dia do novo poderia ser todo dia. Feito assim, de sopetão, sem grandes planos ou conjecturas. Há um dia em que os cílios se afastam e então sabemos que aquele é o dia do novo. Sinto por aqueles que nunca experimentaram um dia desses, eu já tive a oportunidade de ter um desses várias vezes, e posso dizer que um dia é o que alguém precisa para mudar uma vida inteira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que consigo sentir quando um dia desses se aproxima... É quando uma rotina viscosa se acumula sobre as nossas coisas, sobre a nossa pele. Um cheiro de mofo e madeira velha parece se estabelecer dentro das narinas, um gosto de pão velho fica revolvendo nas paredes da boca sem nenhuma explicação. O brilho foge dos olhos e uma cegueira seletiva nos impede de ver brilho nos olhos alheios também. Os dias são todos iguais, e tornamo-nos incapazes de rememorar a semana anterior. Ela será pateticamente esquecível. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho um certo inconformismo inato em aceitar que muito mais de 80% da minha vida cairá no precipício escuro do esquecimento. Lutarei contra isso infinitamente, ainda que seja uma guerra perdida desde o princípio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O dia do novo não é feliz, colorido ou necessariamente harmonioso. Ninguém disse que o novo chegará de mansinho, distribuindo beijinhos e abraços. Na maioria das vezes, muito pelo contrário, ele terá tanta sutileza quanto um búfalo feroz e faminto. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sejamos doces com ele, apesar de sua brutalidade, porque esse novo é precisamente a chama viva que mantém a esperança de talvez, um dia, chegarmos a um lugar mais humano do que esse que ocupamos. É o dia em que o Universo te empurra para aquela decisão postergada, o investimento arriscado, a ideia ousada por muitos considerada insensata. É o dia em que você terá que bancar as suas próprias escolhas, não importa o quanto você tenha medo delas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-8902396347275064603?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/8902396347275064603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=8902396347275064603&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/8902396347275064603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/8902396347275064603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2011/08/o-dia-do-novo.html' title='O dia do novo.'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-aO1UQ8oD6sM/TkCl1bZdyMI/AAAAAAAACN8/tO1OJvjRwKA/s72-c/6004756976_0b7daf182f_z_large.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-995998561890276170</id><published>2011-01-13T18:17:00.001-08:00</published><updated>2011-01-13T18:17:24.446-08:00</updated><title type='text'>Poeta, exceção</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gosto de pensar que poeta é uma palavra sem gênero. Pois que uma palavra assim, tão breve e tremendamente linda, transcende a polaridade através da qual conseguimos ler o mundo.&lt;br /&gt;Os limites da nossa espécie, dessa dimensão em que vivemos, nos obrigam a dividir o mundo em dois, positivo e negativo. Se tudo o que É ainda se apresentasse aos nossos olhos em sua forma original, Una, continuaríamos imersos no torpor da inexistência de consciência, e não haveria verbo.&lt;br /&gt;Mas, poeta... Poeta é a palavra que tenta ultrapasssar a própria natureza humana e não ser preto ou branco. Poeta quer subir no farol do morro mais alto da existência, e contar que não há limiares, fronteiras, contrastes.&lt;br /&gt;Poeta é a palavra e o Homem sem gênero. Sem face, sem história, sem um si-mesmo. Poeta é a palavra que não quer ser palavra, que não quer ser apreendida, que não se permite enjaular-se em meia dúzia de regrinhas.&lt;br /&gt;Se afirmo que 'Sou Poeta', digo isso pedindo lincença ao tempo e espaço, e talvez no final corrija-me dizendo: 'Tenho em mim algo que é Poeta', ou 'parte dessa matéria que sou eu é Poeta'.&lt;br /&gt;Peço um momento de silêncio das gramáticas e dicionários, porque poeta é uma palavra sem gênero, é uma palavra que não pode ser classificada e modificada como as demais do nosso vocabulário, já que ela mora na breve perfeição entre o movimento e a inércia.&lt;br /&gt;Poeta é uma condição emprestada, um vislumbre rápido e inebriante daquilo que está além dos meus próprios sentidos e do meu idioma lacunar.&lt;br /&gt;Poeta é um estar, um lampejo que traduz o universo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-995998561890276170?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/995998561890276170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=995998561890276170&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/995998561890276170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/995998561890276170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2011/01/poeta-excecao.html' title='Poeta, exceção'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-2003245673850069955</id><published>2011-01-04T07:24:00.000-08:00</published><updated>2011-01-04T07:25:03.870-08:00</updated><title type='text'>Poema em linha reta</title><content type='html'>&lt;em&gt;Nunca conheci quem tivesse levado porrada.&lt;br /&gt;Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,&lt;br /&gt;Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,&lt;br /&gt;Indesculpavelmente sujo,&lt;br /&gt;Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,&lt;br /&gt;Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,&lt;br /&gt;Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,&lt;br /&gt;Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,&lt;br /&gt;Que tenho sofrido enxovalhos e calado,&lt;br /&gt;Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;&lt;br /&gt;Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,&lt;br /&gt;Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,&lt;br /&gt;Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,&lt;br /&gt;Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado&lt;br /&gt;Para fora da possibilidade do soco;&lt;br /&gt;Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,&lt;br /&gt;Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a gente que eu conheço e que fala comigo&lt;br /&gt;Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,&lt;br /&gt;Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me dera ouvir de alguém a voz humana&lt;br /&gt;Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;&lt;br /&gt;Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!&lt;br /&gt;Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.&lt;br /&gt;Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?&lt;br /&gt;Ó príncipes, meus irmãos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arre, estou farto de semideuses!&lt;br /&gt;Onde é que há gente no mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderão as mulheres não os terem amado,&lt;br /&gt;Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!&lt;br /&gt;E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,&lt;br /&gt;Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?&lt;br /&gt;Eu, que venho sido vil, literalmente vil,&lt;br /&gt;Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-2003245673850069955?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/2003245673850069955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=2003245673850069955&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/2003245673850069955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/2003245673850069955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2011/01/poema-em-linha-reta.html' title='Poema em linha reta'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-758690653765810577</id><published>2010-12-20T19:38:00.000-08:00</published><updated>2010-12-20T19:39:39.731-08:00</updated><title type='text'>Minguante</title><content type='html'>Lua, lua&lt;br /&gt;cante comigo esta canção&lt;br /&gt;com o timbre do silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que tenho a ti,&lt;br /&gt;que me lembra de tudo aquilo&lt;br /&gt;que não está.&lt;br /&gt;O Sol já se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lua, lua&lt;br /&gt;E eu agora sou satélite.&lt;br /&gt;Giro ao redor,&lt;br /&gt;busco no seu brilho frio&lt;br /&gt;o calor que me esvazia.&lt;br /&gt;O Sol já se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lua cheia.&lt;br /&gt;Eu minguante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lua, lua&lt;br /&gt;Irradia uma luz roubada&lt;br /&gt;na calada da noite.&lt;br /&gt;Calada.&lt;br /&gt;Eu sou sua.&lt;br /&gt;Eu sou lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lua, lua&lt;br /&gt;somos duas.&lt;br /&gt;Solitário brilho azul&lt;br /&gt;ninando os sonhos do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elaborada mentalmente numa vez em que estava longe de tudo e todos que amava, e saía sorrateira à noite para estar acompanhada da minha única conhecida: a Lua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-758690653765810577?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/758690653765810577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=758690653765810577&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/758690653765810577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/758690653765810577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2010/12/minguante.html' title='Minguante'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-8320873906882742373</id><published>2010-09-14T17:09:00.001-07:00</published><updated>2010-09-14T17:09:51.257-07:00</updated><title type='text'>Salvem as flores</title><content type='html'>&lt;div&gt;Protejam a flor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não importa mais nada,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;protejam a flor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque ela, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;e só ela,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sabe ser flor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na profundidade do simples&lt;/div&gt;&lt;div&gt;existir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Imune a tudo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tão escancarada&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que chega a ser frágil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Suas pétalas rosadas&lt;/div&gt;&lt;div&gt;brotaram, uma a uma,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;conhecendo a pureza do ser.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não pediram desculpas,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não regozijaram-se.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Elas eram pétalas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A flor resistiu ao outono,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ainda que vazia,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;porque sabia voltar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Conhece caminhos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que nós, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;estúpidos filósofos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;largamos nos livros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Toda flor é última,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ainda que eterna.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-8320873906882742373?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/8320873906882742373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=8320873906882742373&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/8320873906882742373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/8320873906882742373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2010/09/salvem-as-flores.html' title='Salvem as flores'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-2155635782380537491</id><published>2010-07-23T08:02:00.000-07:00</published><updated>2010-08-17T20:10:43.094-07:00</updated><title type='text'>Imperfeições</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Naquela casa vivia alguém cansado das rachaduras na fachada. Ficou inconformado, pois percebeu que tudo aquilo que é rígido demais não resistia à mínima flexibilidade, e se quebrava. 'Devemos ser perfeitamente brancos', era o que sempre dizia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Resolveu, portanto, contratar um rapaz, que chegou vestindo seu boné e carregando suas ferramentas. Calça rota, camiseta que notadamente não estava sendo usada pela primeira vez. Eram cicatrizes que denunciavam: pingos de tinta, falta de cores, pés grandes e grossos, mãos fortes e unhas com marcas de seus esforços. Apresentou-se como homem especializado em pedras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O sotaque era do lugar de onde todos eles nascem. A fala um tanto quanto indecifrável, mas não importa, pois naquela casa havia alguém apenas cansado de rachaduras. Sem grandes ambições de fazer novos amigos, apenas contratos que acabassem com rachaduras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eles conversam apenas sobre rejuntes, espátulas, tijolos. E o que mais seria possível? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquela pessoa queixa-se das rachaduras, aponta uma a uma com pesar e raiva. Reclama da mobilidade da terra que sustenta suas paredes, e diz que seria melhor se o mundo todo fosse cimentado, imóvel e rígido. O homem que lida com pedras não entende, mas por algum motivo sente-se culpado pelas rachaduras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Finalmente ele fica a sós com elas para fazer seu trabalho. Não as odeia, mas foi chamado para retirá-las dali. Monta sua escada, prepara seus instrumentos. Para consertá-las, primeiro é necessário despí-las ainda mais, penetrar nas reentrâncias daquela parede sem destruí-la.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele inicia suas marretadas, que para o leigo (que não sabe lidar com pedras) parecem violentas e ao acaso. Mas o especialista sabe exatamente o porquê de cada batida. As batidas têm um ritmo, ritmo de uma música que toca em silêncio, dentro dos ouvidos do batedor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seus lábios se movimentam. As palavras daquela canção precisam ser libertadas, as batidas as empurram para fora. As rimas montam-se quase sem querer, cada verso da música marcado por um estrondo seco na parede.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O rapaz era especialista em pedras, não em música, mas timidamente seus lábios cantarolam uma canção em um idioma de algum país mais ao norte. Logo se vê que o homem também não era especialista em línguas estrangeiras, mas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seu martelo marca o ritmo de sua canção, e ele então entra numa espécie de mistura. Não se sabe mais o que ali era pedra, parede, martelo, especialista, música. Tudo se funde, transforma-se numa bela orquestra regida por uma presença invisível. A voz que brota daquela garganta ganha corpo, penetra nas imperfeições daquela parede, como que consolando-as por seu triste fim. O martelo é levado pelas notas musicais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O rapaz não pensou, mas se eu estivesse no lugar dele pensaria: "De onde vem essa voz que sai de minha boca?". Não era nem mesmo uma voz de rapaz, muito menos de um rapaz especialista em pedras. Aquela música, que toca em rádios que melam os dedos de tão românticas, embora assustadoramente igual à original, está completamente diferente. Tem uma moldura feita por espátulas e mãos calejadas. Os acordes são definidos pelo ruído seco da obra. E a métrica... ah, tão livre! De quantas cores aquela fachada foi colorida além do rigoroso branco!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa bela sonoridade passeava junto com o vento, espetáculo sem plateia. As pessoas eram surdas, eis o grande porém. Passantes, neste local, apenas passam. Não ouvem, não veem. Os passantes decerto acharam que um especialista em pedras jamais poderia musicar: ele apenas tapava rachaduras. E então, com a deficiência fundamental do excesso de categorias, ninguém ouviu nem viu nada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passaram-se horas de um belo concerto (com 'c'), tarefa realizada. O especialista guardou seus instrumentos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olhou para sua fachada, reconstruída. Ficou pensando em como agora ela está exatamente igual a todas as outras fachadas, deu um profundo suspiro. Olhou ao redor, não havia ninguém. Saiu de lá sem dizer nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-2155635782380537491?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/2155635782380537491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=2155635782380537491&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/2155635782380537491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/2155635782380537491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2010/07/imperfeicoes.html' title='Imperfeições'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-3815162350277189062</id><published>2010-04-25T11:16:00.000-07:00</published><updated>2010-12-18T19:35:39.229-08:00</updated><title type='text'>E então...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E então, sou eu, tão mil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um milhão de facetas recobertas por um par de olhos claros que me acompanham desde que nasci. Talvez só os olhos permaneçam os mesmos.&lt;br /&gt;Acho que já não sou mais a mesma, acho que hoje sou um milhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre todas elas, e são muitas, eu não posso escolher entre uma só. Eu sou várias, que mudam conforme a minha cartela de anticoncepcional, conforme o jeito como prendo meus cabelos, o cenário que envolve minhas ações, as pessoas que me rodeiam.&lt;br /&gt;E quando escolho ser a heroína para um, sei que instantaneamente me tornarei a vilã de um outro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-3815162350277189062?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/3815162350277189062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=3815162350277189062&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/3815162350277189062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/3815162350277189062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2010/04/e-entao.html' title='E então...'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-2066308043568056027</id><published>2010-03-15T05:40:00.001-07:00</published><updated>2010-12-18T19:38:55.992-08:00</updated><title type='text'>A mulher e a abelha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Num dia de um sol cansado, um sol urbano que já nem brilha, apenas descasca, lá estava ela, tão diferente de tudo. A pessoas que passavam na rua estavam todas vestidas de tédio: saias cinzas e paletós marrons. Tinham os músculos da face tão contraídos, tão marcados, que me lembravam troncos de uma árvore bem velha, dessas que morrem e caem sobre carros.&lt;br /&gt;Mas ela não. Ela era como um botão de flor: tinha traços tão delicados que chegava a dar pena.&lt;br /&gt;O cabelo curto, totalmente branco, fazia uma moldura redonda, envolvia sua face em madeixas lisas bem penteadas. No rosto repousavam olhos suaves, que não estavam alheios a nada e buscavam o tempo todo por um motivo para sorrir. Quando os vi, pensei em borboletas.&lt;br /&gt;A pele era alva como uma tela. Minha memória pode estar me enganando, mas não me lembro de haver rugas em sua face. Sua boca, pequena e rosada, parecia ser o lar da gentileza.&lt;br /&gt;Ela era o contrário do mundo. Parecia ser a única em meio a tanta gente que, de fato, via o sol. Ele parecia querer brilhar só para ela, também.&lt;br /&gt;Sentou-se no único lugar em que a luz do sol não estava coberta por construções, telhados e metais. Ficou ela observando a tudo em seu cantinho iluminado, enquanto o mundo marrom seguia com pressa.&lt;br /&gt;Ela vestia vermelho. Vermelho vivo, sem vergonha, sem vaidade. Um vermelho, assim, orgulhoso.&lt;br /&gt;Acho que só eu e ela vimos o momento em que uma abelha, que há muito circulava por ali, pousou exatamente sobre o dorso de uma das suas mãos, que estava apoiada suavemente sobre as pernas.&lt;br /&gt;Imediatamente o olhar sapeca da mulher voltou-se para abelha, mas não com aquela habitual pressa angustiada de afastar resíduos de natureza. Ela olhou-a como quem, plácida, aprecia uma conhecida que se aproxima.&lt;br /&gt;A abelha correspondeu à calmaria, e lentamente passou a caminhar sobre mão magra e gentil da doce senhora. Passeou sobre a palma alva, sobre o dorso carregado de sardinhas, explorou os dedos suaves, as juntas levemente inchadas. E a mulher simplesmente olhava e abria os dedos, dando mais espaço para a pequena explorar.&lt;br /&gt;A abelha parecia ter encontrado um bom lugar para descansar depois de um exaustivo dia de trabalho, e mulher a observava com uns olhos de admiração. E eu entendi o quanto ela estava orgulhosa por ter sido escolhida como repouso daquele ser tão perfeito em sua pequenez.&lt;br /&gt;Agora ela sorria abertamente, e trazia a abelha para bem perto dos olhos. Enquanto a abelha andava em uma das mãos, com a ponta de um dedo da outra a mulher começou a acariciá-la. Fiquei admirada quando vi que a abelha não assustou-se com as carícias, e ficou ali, parada.&lt;br /&gt;E a curiosidade tomou conta de mim quando vi que, naquele instante, a mulher passou a sussurrar algo para a abelha. Ela sorria e falava baixinho algo que eu daria o universo para poder ouvir.&lt;br /&gt;Pensei que eu não teria nada para dizer a uma abelha que distraidamente pousasse sobre uma das minhas mãos, e me senti muito estúpida por isso.&lt;br /&gt;A senhora de vermelho parecia tão envolvida com aquelas palavras, e elas escorregavam tão suavemente de sua boca que cheguei a sentir inveja. Alguma vez na vida minhas palavras flutuaram tão suavemente quanto as daquela mulher?&lt;br /&gt;Meu ônibus se aproximava, e eu tive que desligar-me daquele mundo que era feito de vermelho, abelhas e palavras aladas. O ruído de freio, a porta que se abriu bruscamente diante de mim. Eu ainda encantada, e o motorista que me olhava impaciente, enquanto eu, indecisa, não sabia se subia os degraus ou se continuava olhando para a senhora de cabelos grisalhos.&lt;br /&gt;Lembrei-me de que eu tinha pressa. Em casa me esperavam coisas. Coisas a fazer. Não sei bem o que eram.&lt;br /&gt;Cortei o fio que me ligava a ela, e com um certo pezar subi a escada do ônibus. A porta se fechou num tranco. O motor velho roncou, o motorista mal-humorado bufou.&lt;br /&gt;Olhei pela janela, e ainda a vi por mais alguns segundos. Agora ela me olhava, e talvez até a abelha me olhasse também. Ambas sorriram.&lt;br /&gt;Eu parti.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-2066308043568056027?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/2066308043568056027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=2066308043568056027&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/2066308043568056027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/2066308043568056027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2010/03/mulher-e-abelha.html' title='A mulher e a abelha'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-7005172217714520028</id><published>2009-12-07T15:06:00.000-08:00</published><updated>2010-12-18T19:38:42.763-08:00</updated><title type='text'>Hoje nasceu um botão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje, uma segunda-feira que não se decidia entre a chuva e a neblina, todos os raios de sol estavam guardados em meu coração.&lt;br /&gt;Inesperadamente, hoje nasceu uma flor. Uma rosa que será branca, rosa, vermelha, multicor. Um pequeno botão, sensível e inacreditavelmente lindo.&lt;br /&gt;Hoje nasceu uma flor, é o que lhes digo. E ainda não sei como ela será: ainda é apenas um botão. Mas é uma flor que, desde seus primeiros minutos, me encanta. Rouba meus olhos, leva um calor suave para minhas pálpebras.&lt;br /&gt;É por essa flor que estive buscando até hoje. Eu não saberia que a encontraria assim, tão linda, tão cheia de vida, ainda em forma de bebê.&lt;br /&gt;Alimenta-se em um solo firme, fértil, de onde muitas outras belas flores já surgiram, e hoje abrem-se abrilhantando milhares de olhos.&lt;br /&gt;Essa pequena flor que surge ainda é pequena, mas quer ser forte e linda. Não sabe ainda como e quantos serão seus espinhos, quando virão os dias de tempestade e os dias de sol, não sabe qual será exatamente seu formato. Mas, ainda assim, em sua delicadeza de filhote, ela já é encantadora. E promete ser fonte de beleza a cada pétala que se revele, a cada folha que se desdobre.&lt;br /&gt;Essa flor nasceu hoje, e eu tenho a feliz tarefa de eternizá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi hoje que eu aprendi a fazer poesias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em comemoração à minha primeira aula ministrada para minha primeira turma de prática do &lt;a href="http://www.metododerose.org/"&gt;Método DeRose&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-7005172217714520028?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/7005172217714520028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=7005172217714520028&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/7005172217714520028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/7005172217714520028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2009/12/hoje-nasceu-um-botao.html' title='Hoje nasceu um botão'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-5223896573032930280</id><published>2009-11-23T18:30:00.000-08:00</published><updated>2010-12-18T19:38:31.498-08:00</updated><title type='text'>Nuvens</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nem todo sentimento&lt;br /&gt;é azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando mares sobem&lt;br /&gt;aos cílios,&lt;br /&gt;as cores se confundem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____________________________&lt;br /&gt;Encontrei esse texto no meio de vários outros, perdido. Eu não sei de quando ele é, e nem sei no que extamente eu estava pensando quando o escrevi. Mas, ainda assim, hoje ele me tocou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-5223896573032930280?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/5223896573032930280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=5223896573032930280&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/5223896573032930280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/5223896573032930280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2009/11/nuvens.html' title='Nuvens'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-5341035529766318422</id><published>2009-09-20T20:51:00.000-07:00</published><updated>2010-12-18T19:38:01.256-08:00</updated><title type='text'>De repente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E, numa tarde qualquer de primavera, em um dia que pedia para ser infinito, uma lágrima rolou dos meus olhos e eu tive certeza. Pela primeira vez olhei para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi naquele dia, há mais ou menos um ano atrás, que eu tive certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daquele dia nada mais foi difícil. E mesmo os mais altos e duros obstáculos, atravesso-os com um sorriso nos lábios, porque passei por aquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele dia em que tive certeza. Aquele dia em que uma música tocava, e eu tomava uma decisão: quem eu queria ser dali pra frente.&lt;br /&gt;E lá eu soube exatamente o que eu precisava para ser feliz, e de antemão decidi qual era o próximo passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi naquele dia em que a neblina da dúvida saiu da frente dos meus olhos, e eu vi.&lt;br /&gt;Eu vi de verdade, tão plena e nitidamente, o que sempre estivera bem na minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia corro atrás de um sonho. Compartilhado por alguns, incompreensível para outros. Mas não importa o que digam ou vejam, porque só eu vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela tarde de primavera que pedia para ser infinita, tudo ficou tão claro. De repente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-5341035529766318422?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/5341035529766318422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=5341035529766318422&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/5341035529766318422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/5341035529766318422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2009/09/de-repente.html' title='De repente'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-6301506818942960322</id><published>2009-09-14T20:05:00.000-07:00</published><updated>2010-12-18T19:37:45.259-08:00</updated><title type='text'>Tango</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Desenho meu eu. Minhas mãos já não tão trêmulas quanto antes esboçam seus primeiros rascunhos.&lt;br /&gt;Às vezes, um ou outro rabisco certeiro.&lt;br /&gt;Desenho a lápis. Não lido bem com a irreversibilidade da caneta tinteiro.&lt;br /&gt;Também uso cores. Cores que rasgam o papel, encantam os olhos, brilham, convidam para um baile silencioso! Embora o preto e o branco, o tudo e o nada, digam muito sobre quem sou.&lt;br /&gt;Pensando bem, talvez nem tanto.&lt;br /&gt;A aparente simplicidade do enlaçar do risco preto no puro branco papel apenas facilitem as coisas... por alguns momentos.&lt;br /&gt;Reescrevo meu passado, futuro e presente incansavelmente, faço um desenho da minha alma. Traço o rosto que quero ter. E ele está em constante revolução!&lt;br /&gt;Meu sorriso ganha mais razões, minhas palavras significados.&lt;br /&gt;Os segundos tornam-se curtos ou extensos: alongam-se ao infinito, quebram a velocidade da luz. O tempo e o mundo dentro das minhas pupilas transformam-se naquilo que eu sou: dançam um tango comigo.&lt;br /&gt;Rabisco minhas verdades, desenho meu rosto, danço meu tango.&lt;br /&gt;E o que é a vida senão uma dança de salão nunca ensaiada?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-6301506818942960322?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/6301506818942960322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=6301506818942960322&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/6301506818942960322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/6301506818942960322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2009/09/tango.html' title='Tango'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-7870154785314033009</id><published>2009-08-06T09:18:00.000-07:00</published><updated>2010-12-18T19:37:32.894-08:00</updated><title type='text'>Beber, cair e levantar.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Às vezes as pessoas me perguntam por que eu tomei essa decisão tão radical na minha vida de não beber nenhum tipo de bebida alcóolica.&lt;br /&gt;Bem, pra começar eu já não gosto muito dessa pergunta, porque com certeza eu não perguntaria a ninguém por que, então, beber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deve soar mais estranho do que eu imagino conhecer uma jovem de 21 anos, que estuda na USP e em pleno século XXI tomou a decisão de não ingerir uma gota de alcóol. Provavelmente, isso deve fazer com que as pessoas pensem que elas têm permissão de questionar minhas escolhas. E, ainda, me julgar a partir delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, elas me fizeram um bem. De tanto perguntarem, ou de me olharem como se eu fosse de outro planeta, comecei a pensar muito sobre o tema, e cheguei a algumas conclusões que fazem muito sentido para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais nada, acho imensamente triste que as pessoas não consigam fazer-se felizes de outra forma que não sendo elas mesmas. A verdade é que as pessoas sabem do que elas precisam para ficar alegres: elas sabem como elas querem dançar, quem elas querem beijar, sobre o que elas querem falar. Mas elas simplesmente não conseguem dançar, beijar e falar livremente, porque estão amarradas em uma série de rótulos sociais dos quais não conseguem se desvencilhar de forma alguma. Estão o tempo todo preocupadas com o que os outros vão pensar, como irão parecer, com a imagem que vão construir.E a única saída que encontram para isso é colocando-se um novo rótulo: "Ah, ele(a) está bêbado!", e com isso ganham o aval para, por alguns minutos, ser quem elas sempre quiseram ser. E todos "desculpam" porque, afinal, ele(a) está alegrinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja isso bom ou ruim, eu acho que eu nunca tive grandes dificuldades para fazer o que eu tinha vontade de fazer sendo eu mesma. Dancei, passei vergonha, tive conversas filosóficas absurdas, falei que amava todo mundo, me declarei, gargalhei... E, hoje, diversas vezes escuto que quem não bebe "esconde" algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto muito, meus amigos, mas no meu pensamento é exatamente o contrário: quem bebe é que só consegue ser feliz dessa forma. Pouco ou muito, ele precisa de um empurrãozinho para ser livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito triste que para nos livrar das máscaras sociais que vestimos, tenhamos que abrir mão da nossa possibilidade de fazer escolhas e relembrar os bons momentos. Tenhamos que abrir mão da lucidez que nos faz perceber tudo, completamente, e vivenciar todos os momentos utilizando cada sutileza dos sentidos do nosso organismo. Tenhamos, além de tudo, que deixar de lado o bem estar do nosso corpo e da nossa saúde a longo prazo, que na minha concepção são a única coisa verdadeiramente sagrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, alcóol é uma droga como qualquer outra, mesmo as ilegais. Aí alguém me diz: "Mas é bem mais fraco!". E eu digo que, mesmo que fosse mais fraco, as pessoas compensam na frequência e no tamanho das doses...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez isso pareça um pouco antipático para alguns, ou tavez para todos (ou quase ). Ao postar esse texto, não pretendo soar a velha chata, e nem dizer que não estarei ao lado de quem bebe, nem que julgo todos aqueles que bebem.&lt;br /&gt;Liberdade é minha filosofia de vida.&lt;br /&gt;Isso é o certo para &lt;strong&gt;mim&lt;/strong&gt; e, por isso mesmo, tenho certeza que não será o certo para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse texto é apenas um desabafo de alguém que cansou de ser "freak" só por causa de uma escolha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-7870154785314033009?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/7870154785314033009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=7870154785314033009&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/7870154785314033009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/7870154785314033009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2009/08/beber-cair-e-levantar.html' title='Beber, cair e levantar.'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-6503827028776374982</id><published>2009-07-12T20:12:00.000-07:00</published><updated>2010-12-18T19:37:19.737-08:00</updated><title type='text'>Família</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando falo do passado da minha família, não tenho modéstia nenhuma ao dizer que a história que me precede é uma das mais lindas que já conheci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha família é, basicamente, uma família de mulheres. Mulheres que, em sua maioria, compartilham do mesmo nome: Luiza.&lt;br /&gt;E as que não compartilham desse nome, acabam adotando também esse jeito 'Luiza' de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou cercada por Luizas. E esse nome pode não significar para o leitor o mesmo que significa para mim. Mas as Luizas que conheço são tão fortes e sensíveis quanto é essa palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Sempre tão Luiza.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Ela, sempre tantas!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Mulher singular,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;mulher plural.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;É única,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;e ao mesmo tempo é muitas.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Luiza,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;as mulheres da minha vida.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Luiza é anjo,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;embora seja ótima como fera.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;E mesmo que ela insista&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;em ser tempestade,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Luiza também é linda&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;quando é só brisa.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ela fincou as garras na vida&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;e com a mesma gana&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;cravou-as nos corações desavisados.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Não que suas marcas não doam&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;(muito pelo contrário),&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;mas Luiza tem a palma&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;e o colo de algodão.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;E com a mesma força que fere&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;instala-se no eterno das almas.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;E ali fica.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Porque Luiza quando ama,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;é inteira feita de amor.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Luiza.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Um nome que não diz&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;sobre quem elas são,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;e nem é de todas elas.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Mulheres contrárias e complementares&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;que me deram o mundo.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O que há de Luiza em mim&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;é tesouro.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Porque sei que um dia terei asas,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;talvez garras...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;e poderei ser como elas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;_____________________________________&lt;br /&gt;Palavras dedicadas às Luizas da minha vida: minha avó, minha mãe e minhas três tias.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-6503827028776374982?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/6503827028776374982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=6503827028776374982&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/6503827028776374982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/6503827028776374982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2009/07/familia.html' title='Família'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-531195085039654179</id><published>2009-06-12T15:50:00.000-07:00</published><updated>2010-12-18T19:37:03.819-08:00</updated><title type='text'>Namorandinho...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O vento balança os cabelos.&lt;br /&gt;Os fios dos meus cabelos enlaçam o rosto dele. Suavemente, com a ponta dos dedos, ele afasta-os para alcançar meus lábios.&lt;br /&gt;Toca suas mãos na minha cintura. De repente elas me tomam, e nós já estamos num abraço.&lt;br /&gt;A pele da minha face descansa sobre o peito dele, e eu sinto as batidas de seu coração. São tão suaves...&lt;br /&gt;Meus olhos estão fechados, estou envolta por braços que me aquecem, que me protegem. É só naqueles braços que eu sei exatamente qual é o meu lugar.&lt;br /&gt;Ele me diz algo, que só eu sei que ele disse. Eu respondo, apaixonadamente, quase num sussurro.&lt;br /&gt;Toco o rosto dele também, sentindo cada pedacinho daquela feição que me surpreende a cada olhar. E nos olhamos, assim, atônitos. Como se nunca tivéssemos nos visto antes. Como se nada mais no mundo existisse além daquele encontro.&lt;br /&gt;Os lábios procuram-se espontaneamente, atraem-se mutuamente. A maciez do seu toque faz arrepiar cada milímetro de pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ficamos assim trocando segredos e carinhos por horas, dias, anos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-531195085039654179?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/531195085039654179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=531195085039654179&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/531195085039654179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/531195085039654179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2009/06/namorandinho.html' title='Namorandinho...'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-3037657943863893025</id><published>2009-05-26T20:17:00.000-07:00</published><updated>2009-05-26T20:19:16.637-07:00</updated><title type='text'>Sem tempo</title><content type='html'>Sou uma engolida.&lt;br /&gt;Uma perdida.&lt;br /&gt;Uma, uma e só uma.&lt;br /&gt;Uma qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, que tirano!&lt;br /&gt;Sempre tão inesgotavel,&lt;br /&gt;consegue me engolir,&lt;br /&gt;e me cuspir em seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, uma cuspida.&lt;br /&gt;Uma sobra.&lt;br /&gt;Uma esgotável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esgoto-me a cada ruído,&lt;br /&gt;e refaço-me.&lt;br /&gt;Eu,&lt;br /&gt;uma tentativa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-3037657943863893025?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/3037657943863893025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=3037657943863893025&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/3037657943863893025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/3037657943863893025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2009/05/sem-tempo.html' title='Sem tempo'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-725101236898940386</id><published>2009-05-06T19:27:00.000-07:00</published><updated>2010-12-18T19:36:38.150-08:00</updated><title type='text'>Ser feliz é simples.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Quem faz não é quem critica.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem critica, pura e simplesmente, nunca faz nada.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem constrói é quem é a favor de alguma coisa. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não defendo a impossibilidade de opinar, argumentar, o livre-pensamento.&lt;br /&gt;Defendo o pensamento que provoca ação, a crítica que gera resultado. Defendo o pensamento como prévio à atitude; e não como crítico insatisfeito de tudo ao redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não aceito o pensamento ranzinza, incapaz de mover uma palha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-725101236898940386?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/725101236898940386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=725101236898940386&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/725101236898940386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/725101236898940386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2009/05/ser-feliz-e-simples.html' title='Ser feliz é simples.'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-6651553467215421834</id><published>2009-04-05T09:55:00.000-07:00</published><updated>2009-04-05T09:59:21.184-07:00</updated><title type='text'>Escultura</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era uma rocha, apenas. Apresentava-se como quem ainda era uma parte, e não um todo: ela ainda não sabia ser nada além de uma simples rocha, apenas sentia que era diferente das demais. Mas não sabia explicar o porquê. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seus traços eram rígidos: eram tão descompromissados que nem chamavam o olhar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela queria ser diferente, e não conformar-se em ser uma simples rocha para sempre, assim como todas as outras. E, pensando nisso, ela nem notou quando o Artista resolveu reclinar-se sobre ela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas foi justamente ele quem a viu de verdade pela primeira vez. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando a encarou bem de perto, ele vislumbrou que dentro de toda sua rigidez havia um brilho alaranjado que pulsava. Não teve dúvidas de que aquela rocha merecia seus esforços de artesão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele tinha mãos macias, que arriscaram desenhar sobre a aspereza daquela superfície. Ao invés das mãos se ferirem, foi a rocha quem cedeu: a suavidade daqueles gestos penetrou em cada sulco, e amaciou pequenas imperfeições eclodidas em sua textura. Ele prosseguia acreditando que nada nela era implacável, e ela esforçava-se para que os toques daquele Artista fossem cada vez mais transformadores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele sabia disso, e por isso investiu na beleza bruta que seus poros exalavam. Ele não quis conformar-se com uma pedra fosca, e por isso transformou-a em Arte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Artista entregou-a seu tempo, e ela aceitou humildemente. Ele depositou com brandura sobre ela palavras e toques, e ela entregou a ele tudo de mais colorido que havia dentro dela: esmeraldas e raios de sol.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era fascinante a poesia de seus gestos. As mãos leves e ao mesmo tempo poderosas, cada movimento perfeitamente encadeado, como uma dança ao som da melodia perfeita do Universo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Paciente como um beija-flor, ele soube entalhar cada detalhe novo àquela textura outrora tão rudimentar. Rodeava-lhe aos poucos, enfeitava seus cantos mais obscuros, refinava-lhe os traços, e suavemente dava a ela a chance de ser um todo, e não apenas mais um pedaço. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com sabedoria moldava novas curvas, antes inimagináveis àquela tão sólida rocha. Pois que sua dureza não era assim tão incontestável, e agora o Artista respondia com a sua obra àqueles que antes lhe disseram que ele não sabia o que estava fazendo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele entregava-lhe toda técnica e todo seu talento, e ela absorvia-os como uma aprendiz, tornando-se parte dele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minuciosamente, foi-se construindo uma nova forma. Ela tornou-se o que havia de melhor dentro dela mesma: lapidando pacientemente a rocha mais bruta, o Artista fez brotar dali uma delicada escultura, que atraía o olhar de todo ser com alma sensível.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E assim, foi ele quem desvelou aos poucos a pulsão viva que estava no âmago de sua obra, e finalmente seu brilho intenso invadiu tudo ao redor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Artista sorriu para sua obra, e ela brilhou intensamente para ele. Agora, a luz alaranjada era mais intensa, e aquecia o coração de quem a pudesse ver. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As ondas do mar eternizaram a inédita beleza que o Artista talhou, o sopro do vento deu-lhe vida, e ela aprendeu também a passear pelo mundo transformando rochas tímidas em esculturas exuberantes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E o mundo nunca mais foi o mesmo... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-6651553467215421834?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/6651553467215421834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=6651553467215421834&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/6651553467215421834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/6651553467215421834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2009/04/escultura.html' title='Escultura'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-2965294885283290859</id><published>2009-04-01T17:06:00.000-07:00</published><updated>2010-12-20T19:30:20.461-08:00</updated><title type='text'>Duetos e duelos.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Numa observação panorâmica sobre as coisas, chego à conclusão que tudo se constitui a partir da relação entre, pelo menos, dois elementos.&lt;br /&gt;O som só surge a partir do atrito, que implica em haver dois. O amor pede que existam dois. Não necessariamente dois que amam, basta um amante e um amado. A palavra só surge a partir de dois: quem a fala e quem a ouve. Se ninguém a ouve que seja o papel, então: o escritor e seu papel. O escultor e sua pedra.&lt;br /&gt;Ninguém faz nada por si só, pura e simplesmente. Um homem precisa de alguma outra coisa, de algum outro alguém. As coisas precisam uma das outras para existirem, para serem coisas e construírem-se da forma que são.&lt;br /&gt;É do atrito que se faz a vida, a beleza do existir. Da relação entre as coisas, dos contrastes de cores, dos sons. Os encontros dos campos gravitacionais giram o mundo, e regem a complexa inter-relação entre todos os sistemas e galáxias que ainda desconhecemos.&lt;br /&gt;O movimento só se dá quando há uma dupla, pelo menos. E essa dança dá luz a duetos encantadores, harmonias deliciosas e lindas de se ver. O encontro da seda com a pele, do mar com a areia, de dois lábios que se beijam, do vento com as folhas que desprendem-se das árvores. São duetos que quase bailam, rodopiam sobre nossos corações.&lt;br /&gt;Ora, duelos são igualmente encontros, e tão inevitáveis que penso que já deveríamos estar mais acostumados com eles. O desequilíbrio do duelo é necessário, capaz de transformar qualquer dueto antigo, capaz de gerar novos equilíbrios.&lt;br /&gt;Vivo trocando entre o dueto e o duelo: do dueto tiro a calmaria necessária para aquietar-me diante de tantas ideias que estão nos bastidores de meus escritos, e do duelo vem a força necessária para sustentar essa torrente. Esses dois movimentos são tão necessários quanto são complementares, e entendo que a minha briga eterna com as palavras é um duelo que tem um quê de beleza.&lt;br /&gt;Amo as palavras com a mesma intensidade em que às vezes odeio-as, e vivemos nessa relação sinuosa, instável e apaixonada, que sei que é eterna. Nelas posso encontrar refúgio, posso afogar-me e salvar-me. Ao mesmo tempo, elas podem ser insuficientes e traiçoeiras, fungindo de mim justamente quando mais preciso delas. Da minha luta e com as palavras surgem alguns textos, algumas poesias, algumas crônicas, enfim... coisas que brotam dessa nossa relação que passeia entre o dueto e o duelo constantemente.&lt;br /&gt;Alguns fragmentos dessas coisas filhas de um atrito às vezes gentil, às vezes vendavalesco, estarão aqui, esperando por algum leitor curioso que talvez aprecie um dueto açucarado. E que não se assuste com duelos sangrentos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-2965294885283290859?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/2965294885283290859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=2965294885283290859&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/2965294885283290859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/2965294885283290859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2009/04/duetos-e-duelos.html' title='Duetos e duelos.'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771799289449043773.post-4929050662117798278</id><published>2009-03-27T09:22:00.000-07:00</published><updated>2010-12-18T19:35:54.522-08:00</updated><title type='text'>Sempre há janelas.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Você acaba de abrir mais uma janela.&lt;br /&gt;Essa, talvez a mais virtual de todas as janelas, mas a que é capaz de abrir paisagens incríveis, e que estão a apenas um clique de distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, um espacinho público para o meu modesto lirismo, para minhas prosas (literárias ou não). E tudo que está aqui, já não é mais meu: é nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ofereço minhas palavras. Não porque sejam belas, não por vaidade, não por desabafo. Apenas, palavras. Aceite-as como um pedacinho de mim que resolvi libertar pelo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Minhas palavras agora caçoam de mim, riem das minhas intenções, constroem-se sozinhas e despem-se, insinuando-se para qualquer um que esteja disposto a contemplá-las. Como perderam seu pudor! Minhas palavras tornaram-se tão maiores do que eu... Elas já nem são mais minhas, são de qualquer um que olhe para elas com a atenção que elas mesmas impõem."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Trecho de um texto antigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771799289449043773-4929050662117798278?l=prosanajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://prosanajanela.blogspot.com/feeds/4929050662117798278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6771799289449043773&amp;postID=4929050662117798278&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/4929050662117798278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771799289449043773/posts/default/4929050662117798278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://prosanajanela.blogspot.com/2009/03/teste.html' title='Sempre há janelas.'/><author><name>Alê Fernandes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03744656607206411517</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gdC2awCJGtA/SrLvL4K6j7I/AAAAAAAABzA/AqAf1MA8BDA/S220/DSC02214.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
